VALDECK ALMEIDA, POETA E ESCRITOR, É O ENTREVISTADO DO GICULT
O Fórum Social Mundial Temático, acontecido em Salvador no final do mês passado, contribuiu para muitas discussões sobre o rumo da atual sociedade, ainda excludente. Numa entrevista ao Gicult, o poeta jequieense Valdeck Almeida apresenta sua impressão sobre o evento e também opina a respeito arte engajada.
GICULT: O Fórum Social Mundial Temático, realizado em Salvador entre os dias 29 e 31 de janeiro, promoveu debates significativos a respeito dos rumos da atual sociedade e as alternativas possíveis a ela. Como escritor e poeta, como você analisa este tipo de evento para o avanço da consciência social e ampliação do nível de leitura?
VALDECK: Um encontro da magnitude do FSMT é de valiosa importância para o debate de ideias, divulgação da arte e literatura e também para propiciar o intercâmbio de informações. É hora de incentivo a leitura e escrita, momento em que os envolvidos com educação também intercambiam experiências e conhecimentos.
GICULT: No passado, falava-se claramente numa arte engajada, transformadora. A literatura pode ajudar a transformar o mundo? De que forma?
VALDECK: A arte de elite nunca foi nem estará engajada. O que resta é ao artista revolucionário, o artista de rua, do povão, empurrar sua arte mundo a fora, usar as ferramentas gratuitas como internet, reunir-se com amigos e afins e disseminar suas ideias pouco a pouco, conquistando terreno devagar e sempre.





February 9th, 2010 at 8:51 pm
A obra de arte em que há um engajamento direto, corre o risco de ser panfletária, portanto pode perder a sua validade e ter um período muito curto de existência. Por que a obra de Machado, Borges, Clarice, Saramago, Ligya, Cortázar, Rulfo, Rey, Piglia, Bolaños, Ramos, Alencar, Tolstoi, Thecov, Beckett, Cervantes, Dostoiéviski, Kafka, Pessoa, Anjos, Salinger, Dumas, Hugo, Wilde, Bandeira, Cecília e tantos outros clássicos continuam atualíssimos? Eu compreendo que são autores que abordagem a condição humana sem se deter no particular. Machado muitas vezes não é compreendido e até criticado por exigirem dele uma posição acerca da questão racial. Quem já leu algumas das suas obras-primas vai perceber a sutileza do autor ao caracterizar o humano em todas as suas nuances. Para mim, arte é arte. E ela jamais deve perder o caráter universal. Flaubert levou dois anos para escrever “Madame Bovary”. Isso que é paciência em busca da qualidade e da perfeição. Hoje nas aulas de redação você lê um texto com o aluno, discute, interpreta, corrige, em seguida constroi-se um tema e pede a ele para produzir um texto. Leva a atividade pra casa. Com o compromisso de trazer oito dias depois. O tempo foi curto. No retorno, começa-se a recolher os textos. A maioria absoluta não faz. Como são atividades pontuais, eles começam a fazer às pressas. Como podem fazer um texto bom em dez a vinte minutos se em oito dias não fizeram? Uma boa obra de arte tem muito a ver com o tempo que foi gasto para produzi-la. Quantos anos Da Vinci levou para pintar a “Monalisa”? Eu me recuso a produzir qualquer texto e dizer que é arte literária. O tempo que me resta é tão somente para as leituras. Não desejo ser apenas um publicador, eu queria ser um escritor.
February 9th, 2010 at 8:53 pm
linha 6: fazem uma abordaem da condição
February 10th, 2010 at 10:29 am
Até que enfim, alguém comenta um assunto cultural com qualidade. Pelos seus comentários aqui no Gicult, você só não é escritor porque não quer. Por que não tenta? Será que é a praga da autocensura?
February 11th, 2010 at 8:28 pm
conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero …a partir deste conceito de literatura começo a pensar…o que será texto literário daqui alguns anos? … realmente Valdeck temos muito que brigar por espaço e incentivo a leitura, afinal de contas…inspiração guardada não respira!
February 13th, 2010 at 1:46 pm
Rimet, hoje não ler quem não quer. Espaço e incentivo existem até de mais. Uma coisa é você romper com o anonimato se envolvendo com esses eventos. Outra coisa é achar que as pessoas não leem porque não existe oportunidade. É um engano pensar assim. Tenho visto muita gente a perder de vista, que trabalha em um setor que não falta livros, que deveria ser o exemplo de leitores e não leem nada.
February 15th, 2010 at 3:31 am
Mundo mundo vasto mundo…se me chamasse Raimundo seria uma rima…não uma solução…
February 16th, 2010 at 2:05 pm
‘Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é meu coração…’
Esse discurso:
“brigar por espaço e
incentivo à leitura”
‘me deixa triste como o diabo’